Nas palavras de um dos médicos da Unidade: “Nós removemos alguns dos órgãos e amputamos pernas e braços. Duas das vítimas eram mulheres jovens, 18 ou 19 anos de idade. Hesito em dizer isso, mas abrimos seus úteros para mostrar aos soldados mais jovens. Eles sabiam muito pouco sobre as mulheres, era uma aula de educação sexual”.

Durante a ocupação da China, o exército japonês começou a configurar um ambiente secreto onde médicos, a portas fechadas, infestavam civis com pestes, submetiam-nos a mudanças extremas de temperatura corporal e dissecavam-nos vivos. Esse lugar, chamado de Unidade 731, tratava-se de uma divisão especial do exército japonês, uma elite científica e militar, que tinha um enorme orçamento e permissão do Imperador para desenvolver armas de destruição em massa.

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Já que a Alemanha e os Estados Unidos estavam um passo à frente na corrida nuclear, o Japão resolveu depositar a sua fé nos germes. Quando algumas bombas foram lançadas na província chinesa de Guizhou, os moradores não souberam com reagir, uma vez que as bombas não explodiram. Elas simplesmente se abriram derramando arroz, trigo e pulgas microscópicas por todo o lugar. Uma semana depois, o objetivo de tal ato se tornou aparente, quando um surto de peste bubônica começou a dizimar a cidade. As bombas de pragas em questão estavam entre as atrocidades inventadas e realizadas pela Unidade 731, uma resposta japonesa para a Auschwitz de Mengele.

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Localizada em um vasto complexo no nordeste da China, a Unidade permitia que os cirurgiões se revezassem entre tirar e reimplantar órgãos dos civis, realizar vivissecção sem anestesia, amarrar civis no chão durante o inverno a fim de os médicos observarem o quão rápido um corpo poderia sucumbir ao congelamento ou, em outros casos, poderiam ser levados para câmaras de descompressão, onde os pesquisadores cronometravam quanto tempo os globos oculares dessas pessoas aguentavam sem explodir.

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Além disso, ainda havia os germes. Cólera, febre tifoide, disenteria e antraz foram distribuídos em várias cidades chinesas. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas morreram entre os surtos dessas doenças, que duraram até 1948. Além dos chineses, entre as vítimas estavam russos, filipinos e prisioneiros aliados que eram infectados e depois conservados em formol. No entanto, apesar de toda essa brutalidade, ninguém foi punido.

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O governo norte-americano trocava imunidade por informações, o que ajudou a encobrir muitas evidências. Não houve pedidos de desculpas, compensação ou reconhecimento das atrocidades acometidas dentro da unidade secreta. Sendo assim, a 731 continua sendo obscuro enigma em aberto, institucionalizada pelo governo japonês que, 70 anos depois, ainda alimenta o sofrimento de muitas vítimas e familiares.

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